A Prefeitura de Cambé, por meio da Secretaria Municipal de Saúde Pública, alerta para o aumento expressivo de casos de síndromes gripais e respiratórias agudas graves, principalmente entre as crianças. Foi registrada uma alta de 166% de atendimentos pediátricos na rede municipal de saúde em maio. Por outro lado, a vacinação contra a gripe segue muito baixa, com somente 18% do público-alvo de seis meses a seis anos vacinados.

Considerando o período entre 1 e 20 de maio, Cambé registrou um salto de 74 para 197 atendimentos pediátricos por dia, o equivalente a 166% de aumento. No período, foram atendidas 796 crianças até dois anos, 863 crianças de dois a quatro anos, 1.247 de cinco a nove anos e 861 de 10 a 14 anos.

Segundo a Secretaria, os dados indicam um aumento claro e consistente na demanda por atendimentos médicos, tanto na ala de Clínica Geral quanto na Pediatria. O volume diário, que iniciou o mês na casa dos 310 atendimentos, ultrapassou a marca de 600 atendimentos nos dias de pico. Considerando todas as idades, foram feitos 8.691 atendimentos até 20 de maio, com uma média de 434 atendimentos por dia. O pico do mês foi registrado no dia 19, com 604 atendimentos, em um crescimento de 90% em relação ao dia 1º.

A secretária municipal de Saúde Pública, Talita Bengozi, explica que, com as mudanças de temperatura neste mês, as pessoas tendem a ficar mais aglomeradas e a circulação do ar fica mais comprometida. Então, os vírus têm a facilidade de se disseminar e as pessoas muito próximas se contaminam. O próprio clima propicia isso, e as doenças respiratórias predominam nesse período.

E, para garantir maior assertividade no diagnóstico e tratamento, a rede pública de Cambé é a única na região, incluindo planos de saúde, que está fazendo teste de Influenza e COVID-19 em todas as crianças, gestantes e idosos que acessam a rede com sintomas. De segunda (18) a quarta-feira (20), foram feitos 350 testes rápidos de COVID e Influenza na UPA. Desses, 210 testes foram feitos em crianças de 0 a 11 anos. No mesmo período, foram 148 testes rápidos de COVID e Influenza na Unidade 24H Maria Anideje.

 

Vacinação segue muito abaixo da meta

No final de março, Cambé iniciou a campanha de vacinação contra a Influenza, o vírus da gripe, buscando evitar mortes e casos graves da doença. A vacina trivalente é a principal arma contra a gripe, preparando o corpo para enfrentar o vírus quando a alta de casos mais graves tem início. E justamente por isso que a campanha começa vacinando os grupos com mais riscos de desenvolver complicações, internações e óbitos: crianças até seis anos, gestantes e idosos.

A expectativa é vacinar 90% de cada público-alvo, garantindo a imunização coletiva do grupo. No entanto, a realidade é bem diferente. Mesmo com vacinação aos sábados, Dia D de vacinação e as doses disponíveis em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS), a procura da população segue baixa. De 6.812 crianças disponíveis para receber a dose, somente 18% tomaram a vacina. Nos idosos, a taxa é um pouco maior, mas ainda gera preocupação, com somente 43% de mais de 20 mil pessoas com mais de 60 anos vacinadas. Já, das 835 gestantes, 64% se vacinaram.

A vacina da gripe segue disponível nas UBS para crianças de seis meses a seis anos, idosos e gestantes; e também os grupos especiais, que são: puérperas (mulheres até 45 dias após o parto); indígenas; pessoas em situação de rua; trabalhadores de saúde; professores; profissionais das forças de segurança; pessoas com deficiência permanente; caminhoneiros; trabalhadores de transporte coletivo; trabalhadores dos correios; população privada de liberdade; e pessoas com doença crônica não transmissível ou outra condição especial.

Se você faz parte de algum dos públicos-alvos e não tomou sua dose, procure a UBS mais próxima com documento com foto, carteirinha de vacinação e cartão do SUS.

“É nesse momento que estamos vendo um aumento muito grande da procura nas unidades de saúde, que reforçamos o quão importante é a vacinação. Essa é uma das medidas mais fáceis e de maior acessibilidade da população para interromper a cadeia de transmissão. Precisamos melhorar os números nas crianças, porque elas estão na escola, em salas de aula fechadas, e transmitem para os colegas, para o professor, em casa. Estamos com o dobro do atendimento normal de crianças nesse período por conta das síndromes gripais. É importantíssimo que as pessoas se vacinem. Quanto mais pessoas vacinadas, menor a chance da transmissão. O inverno está chegando, e é aí que a gente espera sempre o aumento dos casos de gripe com vários vírus circulando. Então, a gente precisa que a vacina interrompa a cadeia de transmissão”, ressalta a secretária de Saúde. 

O Ministério da Saúde, que faz a distribuição das doses da vacina, informou que a vacinação contra a gripe será aberta para todos os públicos em junho.

 

Alta dos casos é registrada em todo o país

O Paraná também registra uma alta em casos de síndromes gripais e síndromes respiratórias agudas graves (SRAG), que demandam mais atenção. Até o início de maio, no Paraná, foram notificados 8.048 casos de síndrome gripal por COVID-19 e 30 óbitos de síndrome respiratória aguda grave por COVID-19. No mesmo período, foram notificados 6.683 casos de síndrome respiratória aguda grave no Paraná, e confirmados 281 óbitos.

O país também registrava um aumento expressivo fora de época, entre janeiro e março, o que obrigou o Ministério da Saúde a antecipar o início da campanha de vacinação, que geralmente começava em abril. Até 14 de março, já haviam sido notificados 14,3 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no país, com cerca de 840 óbitos. 

Hoje, segundo o boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgado nesta quinta-feira (21), já foram registrados 63 mil casos de síndrome respiratória aguda grave. Todas as unidades federativas, com exceção de Rondônia, estão com síndrome respiratória aguda grave em nível de alerta, risco ou alto risco. O Paraná está em estado de alerta.

O estudo ainda alerta que a incidência das síndromes se mantém mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao vírus sincicial respiratório (VSR), enquanto o aumento nas demais faixas etárias tem sido impulsionado pela influenza A.

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