Cambé inicia a liberação do mosquito com bactéria Wolbachia para controle e prevenção da dengue (Reprodução/Ministério da Saúde)

Cambé deu início à fase de liberação dos Wolbitos, o Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, para controle e prevenção da dengue, em 21 bairros do município. A previsão é de que, ao longo de 26 semanas, seja feita a soltura gradual de mosquitos com essa bactéria, que não transmitem os vírus da dengue, zika e chikungunya, e auxiliam no combate às arboviroses. Quando liberados, eles se acasalam com os mosquitos locais, passando a bactéria para as gerações seguintes e formando, ao longo do tempo, uma população de mosquitos com capacidade reduzida de transmitir essas doenças. 

Essa fase de liberação tem início após a etapa de engajamento comunitário. Inicialmente, a população destes bairros recebeu informações sobre a tecnologia e seu funcionamento com ações como panfletagem nas casas, espaços comunitários e escolas, engajamento por redes sociais e explicação feita por agentes da Prefeitura capacitados.

A soltura gradual dos mosquitos está prevista para acontecer por 26 semanas, sendo feita também por agentes previamente treinados e capacitados. As liberações são controladas e realizadas semanalmente por meio de veículos e equipamentos próprios. A expectativa é que, ao longo dos meses, a presença da Wolbachia aumente de forma autosustentável no município.  

Cambé conta com apoio de um núcleo de produção em Londrina, com estrutura própria para o desenvolvimento dos Wolbitos, da fase de ovo até a fase adulta, antes da liberação em campo. Esse núcleo recebe as cápsulas com ovos e ração vindas de uma biofábrica. Os ovos, em contato com a água, se desenvolvem até a formação dos mosquitos adultos. Posteriormente, eles são então distribuídos por veículos em rotas definidas. 

Ao todo, são 885 pontos de soltura nos seguintes bairros: Silvino, Bandeirantes, Riviera I, Riviera II, Ana Elisa I, Montecatini, Novo Bandeirantes I, Novo Bandeirantes II, Novo Bandeirantes III, Ana Elisa II, Caic II, Josiane II, Josiane I, Castelo Branco I, Castelo Branco II, Santo Amaro I, Santo Amaro II, Santo Amaro III, Manela I, Jardim do Café e São Paulo I. A expectativa é de que a ação proteja mais de 34 mil pessoas. 

Além disso, a fase de liberação é feita junto com o monitoramento das ovitrampas, que mede o estabelecimento da Wolbachia em campo. Pesquisas de eficácia demonstram que, quanto maior a presença de mosquitos com a bactéria em campo, menores são os números de casos de dengue, zika e chikungunya. Em Niterói, por exemplo, que tem todo o território coberto pela tecnologia, a redução dos casos de dengue foi de 89%. 

O prefeito de Cambé, Conrado Scheller, celebrou a nova etapa da ação, que chega como um importante aliado contra a dengue no município. “Cambé vem se tornando um campo de desenvolvimento e execução de novas tecnologias. Tudo que chega para melhorar ainda mais a qualidade de vida da população é bem-vindo. E uma parceria como essa é muito benéfica. São vários estudos sendo feitos para nos ajudar a diminuir os casos de morte e dengue em Cambé. Pedimos que a população continue fazendo sua parte, limpando os quintais, conversando com os vizinhos para que, juntos, agora com uma arma poderosa, a gente vença essa doença”, disse. 

“Agora que a população já conhece o método e entende que é uma tecnologia segura para a proteção, começam as liberações dos mosquitos. Será um trabalho intenso nas próximas semanas, que ainda conta com a colaboração das pessoas na eliminação do mosquito e de possíveis criadouros. Quem mata o Aedes aegypti também contribui para o método”, explicou ainda Gabriel Sylvestre, gerente de implementação da Wolbito do Brasil. 

 

Sobre o método 

O Método Wolbachia é conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com o Ministério da Saúde, e operado pela Wolbito do Brasil. A estratégia é baseada em evidências científicas e integra o conjunto de ações nacionais de enfrentamento às arboviroses. 

O Método Wolbachia utiliza mosquitos Aedes aegypti que carregam a Wolbachia, uma bactéria naturalmente presente em mais da metade dos insetos da natureza e que impede o desenvolvimento dos vírus das arboviroses no organismo do mosquito. Ao se reproduzirem, os mosquitos locais transmitem a bactéria para as próximas gerações, ampliando de forma progressiva e sustentável a presença da Wolbachia no ambiente. Com isso, os mosquitos têm capacidade reduzida de transmitir dengue, Zika e chikungunya. 

A metodologia é duradoura: estudos de comprovação científica demonstram que, mesmo após oito anos das primeiras liberações, os mosquitos mantêm a bactéria Wolbachia de forma estável na população. 

Atualmente, o Método está presente em 16 cidades no Brasil, protegendo mais de 8 milhões de pessoas. A expansão da tecnologia já compreende dezenas de outros municípios indicados pelo Ministério da Saúde, dentre eles: Ribeirão Preto, Araraquara e São José do Rio Preto (SP), Contagem (MG), Foz do Iguaçu e Cascavel (PR) e Anápolis, Aparecida de Goiânia e Trindade (GO), Olinda (PE) e Rio Branco (AC).

Com informações da assessoria de imprensa da Wolbito do Brasil.

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