A Prefeitura de Cambé, por meio da Secretaria Municipal de Saúde Pública, está reforçando as ações contra o sarampo no município. A partir de agosto, serão intensificadas as ações de identificação precoce dos sinais do sarampo e vacinação contra a doença. O país está em alerta após a identificação de casos no estado de São Paulo, e o Ministério da Saúde recomendou que outros estados e municípios promovam ações para que a enfermidade não se dissemine.
A partir da próxima semana, a Secretaria fará a capacitação de agentes comunitários, agentes de endemias, profissionais de educação e profissionais da Assistência Social e dos CRAS para a identificação precoce de sinais e sintomas do sarampo. A recomendação é que qualquer paciente com algum sinal seja encaminhado ao serviço de saúde para identificação de casos e bloqueio da transmissão antes da disseminação da doença.
Profissionais de saúde do município também estão passando por capacitação para identificação de sintomas e acolhida dos pacientes. Essa etapa inclui enfermeiros, técnicos de enfermagem e médicos, tanto de forma presencial como online, para adequação de agenda.
Outra ação que vai ser intensificada é a vacinação. Em agosto, a Secretaria começa a aplicar doses nas escolas estaduais em Cambé, assim como era feito nas municipais. E, no sábado, dia 22, todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) estarão abertas, das 8h às 14h, com aplicação de todas as vacinas do calendário nacional, mas com foco especial em doses contra o sarampo e HPV.
“É um cenário preocupante, em que o Brasil tem o risco, inclusive, de perder o título de país livre do sarampo e, diante de tudo isso, já começamos a fazer essas ações para que nossos profissionais entendam a gravidade e como identificar todos os sinais para impedir que a doença se dissemine na sua região”, destacou a secretária de Saúde, Talita Bengozi.
O que é o sarampo?
De acordo com o Ministério da Saúde, o sarampo é uma doença infecciosa altamente contagiosa que já foi uma das principais causas de mortalidade infantil em todo o mundo. Apesar dos avanços significativos no controle e prevenção por meio da vacinação, o sarampo ainda representa um desafio para a saúde pública, especialmente em regiões com baixas taxas de imunização. Caracterizado por sintomas que podem ser confundidos com os de outras doenças virais, o sarampo exige atenção e conhecimento para ser identificado e tratado adequadamente.
A transmissão do vírus do sarampo ocorre de pessoa a pessoa, por via aérea, ao tossir, espirrar, falar ou respirar. O sarampo é tão contagioso que uma pessoa infectada pode transmitir para 90% das pessoas próximas que não estejam imunes. A partir disso, a transmissão pode ocorrer entre 6 dias antes e 4 dias após o aparecimento das manchas vermelhas pelo corpo.
No entanto, essa é uma doença prevenível pela vacinação. Na rotina dos serviços de saúde, todas as pessoas de 12 meses a 59 anos de idade têm indicação para serem vacinadas contra o sarampo. Adolescentes e adultos não vacinados ou com esquema incompleto contra o sarampo devem iniciar ou completar o esquema vacinal de acordo com a situação encontrada. O SUS disponibiliza duas vacinas disponíveis para proteção contra o sarampo: a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e a tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela).
Os principais sinais e sintomas do sarampo são manchas vermelhas no corpo e febre alta (acima de 38,5°) acompanhada de um ou mais dos seguintes sintomas: tosse seca, irritação nos olhos (conjuntivite) e mal-estar intenso. Em torno de 3 a 5 dias é comum aparecerem manchas vermelhas no rosto e atrás das orelhas, que, em seguida, se espalham pelo restante do corpo. Após o aparecimento das manchas, a persistência da febre é um sinal de alerta e pode indicar gravidade, principalmente em crianças menores de 5 anos de idade. Se identificar algum desses sintomas, procure uma unidade de saúde.
Estado de São Paulo enfrenta surto ativo de sarampo
O que antes era uma das principais causas de mortalidade infantil no país, o sarampo passou a ser tratado como erradicado, com o país livre da doença, graças ao avanço da vacinação nos anos 1970 e 1980. No entanto, o sarampo voltou a preocupar autoridades brasileiras no fim de julho e começo de agosto.
O estado de São Paulo, hoje, enfrenta um surto ativo da doença, com 16 casos confirmados nas cidades de São Paulo, São Bernardo do Campo e Guarulhos. Com isso, o Ministério da Saúde recomendou que os municípios vacinem todas as pessoas de seis meses a 59 anos, mesmo aquelas que já se vacinaram na vida, para interromper a circulação do vírus e evitar a reintrodução da doença no país.
Cambé não enfrenta essa situação. Porém, é importante verificar a situação da cobertura vacinal, já que é a dose que previne contra a doença. A recomendação do esquema de vacinação contra o sarampo é a seguinte: crianças de 12 meses devem tomar a 1ª dose (tríplice viral). Crianças de 15 meses devem tomar a 2ª dose (preferencialmente com a tetraviral). Pessoas de 5 a 29 anos devem comprovar duas doses da tríplice viral na caderneta. Já de 30 a 59 anos, devem comprovar pelo menos uma dose da tríplice viral. E trabalhadores da saúde devem comprovar duas doses, independentemente da idade.
Caso você ou alguém da sua família não tenha esse esquema vacinal, procure a Unidade Básica de Saúde mais próxima e atualize a sua caderneta de vacinação.
