A ação premiada aconteceu no Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Nelson Florêncio Pizaia, com conversa com as nutricionistas e atividade lúdicas para as crianças

A melhor educação municipal da região se faz também nas cozinhas das escolas. E Cambé vem garantindo cada vez mais destaque em sua merenda. O município foi premiado pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), do Ministério da Educação, por um projeto de diálogo com as famílias sobre a importância da alimentação saudável na infância. A iniciativa também é feita nas escolas, desde a elaboração do cardápio por nutricionistas, pensado de acordo com as necessidades nutricionais de cada faixa etária, até a preparação das 17 mil refeições diárias para os 11 mil alunos da rede municipal de ensino e instituições filantrópicas.

Na terça-feira (23), as conselheiras do Conselho de Alimentação Escolar (CAE) de Cambé estiveram em Brasília para representar o município e receber o Prêmio CAE de Participação Social. A premiação destacou o projeto “I Encontro com o CAE: diálogo com as famílias sobre seletividade alimentar”, uma iniciativa que aproximou famílias, escola e comunidade para discutir a importância da alimentação saudável na infância e estratégias para o enfrentamento da seletividade alimentar.

Segundo a Secretaria Municipal de Educação e Cultura, o projeto nasceu a partir do trabalho desenvolvido pelo CAE durante as visitas às unidades escolares. Ao acompanhar de perto a alimentação oferecida aos estudantes e a realidade das famílias, o Conselho identificou a necessidade de ampliar o diálogo sobre hábitos alimentares saudáveis, levando informações e orientações que pudessem contribuir tanto no ambiente escolar quanto no familiar.

A ação, que se tornou premiada, foi realizada no Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Nelson Florêncio Pizaia. Durante o encontro, pais e responsáveis participaram de um momento de conversa com nutricionistas da rede municipal sobre seletividade alimentar e construção de hábitos saudáveis na infância. Em seguida, famílias e crianças participaram de uma atividade prática e lúdica, preparando pratos utilizando frutas presentes no cardápio escolar, demonstrando como a apresentação dos alimentos pode influenciar positivamente sua aceitação.

Para uma das nutricionistas da Secretaria Municipal de Educação e Cultura, Bárbara Nascimento, a conquista do prêmio reflete o compromisso de Cambé com a qualidade da alimentação escolar. A profissional ressalta que hoje busca-se oferecer diariamente refeições equilibradas, seguras e nutritivas, com a presença de frutas, verduras, legumes, cereais, feijões, carnes, leite e derivados, priorizando alimentos in natura e minimamente processados. Para ela, além de garantir o aporte nutricional necessário para o crescimento e desenvolvimento das crianças, a alimentação escolar tem o objetivo de promover hábitos alimentares saudáveis que possam ser levados para a vida toda.

Nas atividades, famílias e crianças preparam pratos utilizando frutas presentes no cardápio escolar, apresentando alimentos e contribuindo positivamente na aceitação deles pelos alunos

“Mais do que servir refeições, a alimentação escolar em Cambé é entendida como uma ferramenta de educação. Por meio de ações de Educação Alimentar e Nutricional, as crianças são incentivadas a experimentar novos alimentos, conhecer diferentes sabores e compreender a importância de uma alimentação variada e equilibrada. O trabalho conjunto entre nutricionistas, equipes escolares, manipuladoras de alimentos, gestores, famílias e o CAE fortalece esse processo e contribui para que a escola seja um espaço de promoção da saúde e da qualidade de vida”, destacou.

A secretária municipal de Educação e Cultura, Estela Camata, explica que receber um prêmio nacional de alimentação escolar representa muito, porque, desde o início, a gestão atual vem investindo não só na educação, como também em uma alimentação de qualidade para as crianças. “Hoje temos uma merenda padrão almoço, que envolve proteínas e todas as vitaminas que nossas crianças precisam para estar bem, saudáveis e por inteiro no processo de aprendizagem. Uma questão que sempre nos preocupou não é só oferecer uma qualidade de alimentação, mas também a seletividade dos nossos alunos. Muitos não comiam frutas ou não comem outro tipo de alimento. Então, por meio desse programa ou desse projeto que foi apresentado, pudemos incentivar as crianças a experimentarem e viverem novas experiências alimentares.”

Noêmia de Souza é mãe de uma criança com transtorno do espectro autista e conselheira de alimentação escolar de Cambé, participando do processo de visita nas unidades e acompanhando a qualidade da alimentação oferecida, as condições de preparo dos alimentos e a aceitação das refeições pelas crianças. Para ela, a ação é essencial porque aborda uma realidade direta das famílias. “Muitas crianças têm dificuldade com textura, cheiro, cor e o sabor do alimento, o que transforma a alimentação em um grande desafio para toda a família. Durante as atividades, buscamos orientar os pais, os educadores e as crianças, além de promover uma experiência prática e lúdica. As crianças participaram ativamente da montagem de pratos, explorando alimentos de forma leve e acolhedora. A informação, a orientação e o trabalho em conjunto com as famílias e escolas, com uma equipe multidisciplinar, são fundamentais para promover mais qualidade de vida, autonomia e inclusão das crianças.”

Para Ângela Melo, assessora pedagógica de geografia e ciências naturais da Secretaria de Educação e Cultura, e representante da Prefeitura na premiação, a conquista premia a atuação do Conselho e a participação dos profissionais na elaboração de uma merenda de qualidade e de ações que aproximam as crianças de hábitos mais saudáveis. “É muito emocionante. Estar entre 25 ações em todo o Brasil, apenas cinco na região, em um projeto que de fato alcançou famílias que precisavam dessas informações fonoaudiólogas e nutricionais. Muitas pessoas não sabem quão importante é a mastigação, a ingestão do alimento em pedaços das frutas, entre outras coisas. Além da união das famílias nas atividades, das crianças montando os pratos de frutas com os pais de forma divertida e saudável. A sensação é muito boa”, declarou Melo.

 

Cambé é o município da região que mais comprou peixe para a merenda escolar

E, pensando na atribuição de mais nutrientes, na educação alimentar e em uma refeição de qualidade, o próprio cardápio das escolas passa por constantes atualizações, como a inclusão do peixe. Hoje, segundo dados do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), Cambé é o município, dos 19 da região, que mais investe na compra de peixe para a merenda escolar. Só em maio foram servidos 800 quilos de pescado nas refeições.

Flávia Santos, que também é nutricionista da rede de educação, explica que a inclusão do peixe na merenda escolar representa uma estratégia para qualificar a alimentação oferecida aos estudantes. “O pescado é um alimento de alto valor nutricional, rico em proteínas, vitaminas, minerais e ômega-3. Nutrientes importantes para o crescimento, o desenvolvimento cognitivo, a memória e a aprendizagem das crianças”, disse.

A Secretaria iniciou a introdução do filé de tilápia em 2025, para os alunos do Ensino Fundamental, alcançando um índice de aceitabilidade de 73%. Em 2026, foi ampliada a oferta também para os Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), em um processo realizado de forma gradual e planejado. Com isso, a frequência do pescado na merenda é ampliada, seguindo a aceitação das crianças, diversificando as preparações oferecidas, sempre com foco na saúde, no desenvolvimento e no bem-estar.

“A alimentação escolar é pensada de forma criteriosa pela equipe de nutricionistas, seguindo as diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Os cardápios são elaborados para atender às necessidades nutricionais de cada faixa etária, com refeições equilibradas, variadas e que contribuam para a formação de hábitos alimentares saudáveis. Sabemos que os hábitos alimentares construídos na infância tendem a se refletir na vida adulta e, por isso, proporcionar o contato das crianças com diferentes alimentos, como o peixe, também é uma importante ação de educação alimentar, contribuindo para a formação de escolhas mais saudáveis ao longo da vida”, concluiu Santos.

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